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| Localizado
no litoral Sul da imensa China, o território de Macau alberga actualmente uma numerosa
população que desde o início da década de 80, não parou de crescer em resultado de uma
imigração intensa que se sentiu essencialmente a partir da vizinha República Popular da
China, afluindo a Macau milhares de novos residentes procurando na cidade melhores
oportunidades de trabalho e um futuro mais risonho para si e para os seus familiares,
muitos deles que os ficaram aguardando nas remotas povoações da China. A actual população de Macau, estimada em cerca de 450,000 habitantes, é predominantemente chinesa (93%), seguindo-se a comunidade portuguesa (5%) e outros residentes de diversas origens, como filipinos e tailandeses. Esta faceta ecuménica da cidade de Macau, sedimentada com o rolar de quatro séculos e meio de vivência pacífica de uma população vocacionada para as actividades comerciais neste estratégico porto na embocadura do Rio das Pérolas que dá acesso à próspera cidade de Cantão, gerou sinais indeléveis, que ainda hoje persistem, na matriz socio-cultural desta pequena sociedade, e nos testemunhos bem visíveis da malha urbana da cidade e da arquitectura de muitos dos seus edifícios. Porém, as rápidas transformações económicas, culturais e tecnológicas que se têm vindo a registar em toda a região da Ásia, em particular na China, têm tido os seus reflexos em Macau, pelo que a imagem da cidade que testemunha o processo histórico começou rapidamente a alterar-se, correndo o risco de, a curto prazo, se perderem as características específicas resultantes da interligação de culturas ocidentais e orientais. Por esta razão, tornou-se urgente implementar medidas de protecção, conservação e valorização do património construido, evitando a deterioração da imagem e da própria identidade da cidade, sujeita a fortes pressões do desenvolvimento imobiliário e das tendências especulativas, além das necessidades sociais resultantes de uma população carenta de alojamento e sempre a aumentar. Este súbito e recente acréscimo populacional reflete-se na actual característica da populacão residente do Território, onde se estima que cerca de cinquenta por cento chegou e habita em Macau desde os últimos quinze anos, sendo portanto uma população de imigrantes recentes, maioritáriamente chineses, que vieram para Macau com o objectivo de alcançarem melhores condições de vida, mas cujas referências culturais pouco ou nada têm a ver com o lugar onde habitam, situando-se naturalmente nas suas terras de origem, algumas bem distantes de Macau, e de culturas totalmente diferentes. Tratando-se Macau de um pequeno território sem quaisquer recursos naturais, com uma população laboriosa mas sofrendo a concorrência de mercados vizinhos com mão-de-obra muito barata e portanto muito mais competitivos, resta-lhe apenas a componente turística, alicerçade numa identidade cultural e histórica ímpar em toda a região da ásia, que constitui o seu grande património, que deve ser preservada e revitalizada, e que no futuro fará a diferença desta cidade, entre todas as restantes que se integram nesta vasta zona do Oriente. É no entendimento que o futuro de Macau e das suas populações passa pela defesa dos seus valores culturais e sociais, e pela manutenção e enriquecimento desta valiosa herança de quatro séculos e meio de convívio harmonioso entre duas culturas tão diversas, que foram lançadas as bases para a criação, em Macau, de uma instituição de natureza museológica que reflectisse não apenas a história do território como as caracteristicas socio-culturais da sua população, procurando-se criar uma instituição viva, actuante, orientada essencialmente para os seguintes objectivos programáticos:
Estabelecidas assim as bases programáticas para o novo museu, que se passaria a designar por Museu de Macau, passou-se à fase seguinte da definição do local de implantação da nova unidade museológica. A velha fortificação construida pelos padres Jesuítas, em 1626, no topo da colina do Monte, elevando-se bem no centro da cidade, foi assim o local escolhido para instalar o Museu de Macau. Esta Fortaleza, construida em forma de quadrilátero com quatro bastiões nos cantos, tem grossas paredes exteriores feitas em "chunambo", ou taipa, material muito resistente feito a partir de uma argamassa contendo areia, cal e fragmentos de conchas ou ostras moídas. O Museu de Macau começou a ser concebida em Abril de 1995, tendo a obra de construção sido iniciada em O edifício do Museu desenvolve-se num total de três pisos, sendo dois no sub-solo, em cave escavada no interior da Fortaleza, e um terceiro já acima da cota do terreno interior da fortificação. A sua área total é de 2,800 m2, dos quais cerca de 2,100m2 se destinam a área útil de exposição. Quanto ao edifício administrativo, já no exterior da Fortaleza, mas ligado ao Museu através de um túnel com escadas rolantes que passa
sob as muralhas, tem como finalidade a instalação dos serviços técnicos e
administrativos da instituição museológica, tais como os gabinetes da Direcção e dos
técnicos, salas de armazenamento das reservas do Museu, laboratório de restauro,
oficinas, núcleo de informática, central de segurança, auditório, etc.Nas áreas exteriores deste edifício administrativo, que tem a área total de 2,300 m2, localizam-se também a loja do Museu e um bar com esplanada, para serviço do público e visitantes. Quanto aos conteúdos temáticos que o Museu de Macau pretende abordar, os mesmos dividem-se em três grandes grupos, correspondentes a cada um dos três pisos do edifício do Museu :
![]() Numa velha sala subterrânea existente no interior da Fortaleza, ficará à disposição dos visitantes uma exposição permanente sobre a história da própria Fortaleza do Monte, desde a data da sua construção pelos padres Jesuítas, no início do século XVII, até à sua transformação em Museu em 1998. |
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