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Exposição
Caligrafia Chinesa de So Shu Fai
INTRODUÇÃO
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A
Arte da Caligrafia chinesa desenvolveu-se num meio cultural rodeado de características
especiais, em tempos remotos da antiguidade da China, sendo uma das manifestações mais
intensas da inteligência e criatividade do seu povo.
A Caligrafia é uma
forma singular da estética chinesa, vivendo da interacção de uma mundividência
objectiva e subjectiva, ao ponto de atingir a profundidade da filosofia. Cada traço dos
seus caracteres é fruto de uma cuidada meditação, reflectindo o "Dao",
deixando simultaneamente transparecer a personalidade do artista bem como a sua
concepção do cosmos. "Daí que, para além de conter elementos estéticos e revelar
as características de um povo, esta arte torna-se também pessoal, convertendo-se no
próprio espelho do artista que a produz.
So Shu Fai, desde a sua
infância mostrou interesse pela Caligrafia. Para o seu estudo elaborou inúmeros modelos
caligráficos de artistas de renome. Actualmente, embora esteja muito ocupado com a sua
actividade profissional, insiste em continuar a aprofundar esta arte. Fundou ainda, com os
seus amigos, várias associações, de entre as quais se conta a Associação de Artes
Culturais Chinesas de Macau, incentivando, assim, o intercâmbio da arte caligráfica.
Tanto no princípio
como no final deste século, assistiu-se ?tentativa da sua destruição por parte de
algumas pessoas menos formadas, que alegavam que esta arte estava a contribuir para a
destruição da tradição chinesa. Porém, através da realização de diversas
exposições caligráficas com obras de So Shu Fai, ficou definitivamente provado que a
Caligrafia não é mais do que o testemunho histórico da forte vitalidade cultural da
China. Como Georg Wilhelm Friedrich Hegel disse: "A tradição não é uma estátua
de pedra, mas um rio cheio de vitalidade que, quanto mais se afasta da nascente, mais
altas são as suas ondas."
É, pois, com
muito prazer que o Instituto Cultural de Macau organiza esta exposição no Museu de
Macau. E estou convicto de que esta será uma inspiração, não apenas para os estetas e
entendidos mas também para o público em geral.
O Presidente do Instituto
Cultural de Macau
Wang Zeng Yang
Agosto, 1999
Os calígrafos contemporâneos têm a tendência de
aprender a caligrafia do estilo de Huang Dao Zhou e Ni Yuan Lu, que viveram na parte final
da Dinastia Ming. Cremos que Shen Mei Shou, do Século IXX e Tai Jing Nong, da época
contemporânea,
foram os que conseguiram maiores sucessos nesse aspecto. O Professor Jao Tsung-I considera
que o Sr. Ambrose So Shu Fai possui "uma profunda capacidade para imitar a
caligrafia do Sr. Tai, conseguindo quase assemelhar-se-lhe". Aqueles que já
apreciaram as obras do Sr. So, são também da mesma opinião.
Há vinte anos, o Sr.
Jao Tsung-I lamentava: "Hoje em dia os professores que nas universidades leccionam
a língua chinesa não sabem escrever caracteres com o pincel, e os professores de
educação artística não estão habilitados a desenhar com o pincel". Mas,
após termos apreciado no ano transacto a imitação de caligrafia de Wang Duo pelo Zahang
Wu Chang, professor de economia da Universidade de Hong Kong, e, no corrente ano, a do Sr.
Ambrose So Shu Fai, o signatário está convicto de que, embora o conceito profissional da
caligrafia chinesa não seja fácil de atingir, tal conceito á está muito bem adoptado
por diferentes profissionais e camadas sociais.
Prof. Sheung Chung-Ho
Verão, 1999
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