Data : 31.8-19.9.1999

A Exposição está aberta ao público diariamente
(excepto às 2.as Feiras) entre as
10:00 e as 18:00 horas


Local : Sala de exposições temporárias
do Museu de Macau




Exposição Caligrafia Chinesa de So Shu Fai

INTRODUÇÃO


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A Arte da Caligrafia chinesa desenvolveu-se num meio cultural rodeado de características especiais, em tempos remotos da antiguidade da China, sendo uma das manifestações mais intensas da inteligência e criatividade do seu povo.

A Caligrafia é uma forma singular da estética chinesa, vivendo da interacção de uma mundividência objectiva e subjectiva, ao ponto de atingir a profundidade da filosofia. Cada traço dos seus caracteres é fruto de uma cuidada meditação, reflectindo o "Dao", deixando simultaneamente transparecer a personalidade do artista bem como a sua concepção do cosmos. "Daí que, para além de conter elementos estéticos e revelar as características de um povo, esta arte torna-se também pessoal, convertendo-se no próprio espelho do artista que a produz.

So Shu Fai, desde a sua infância mostrou interesse pela Caligrafia. Para o seu estudo elaborou inúmeros modelos caligráficos de artistas de renome. Actualmente, embora esteja muito ocupado com a sua actividade profissional, insiste em continuar a aprofundar esta arte. Fundou ainda, com os seus amigos, várias associações, de entre as quais se conta a Associação de Artes Culturais Chinesas de Macau, incentivando, assim, o intercâmbio da arte caligráfica.

Tanto no princípio como no final deste século, assistiu-se ?tentativa da sua destruição por parte de algumas pessoas menos formadas, que alegavam que esta arte estava a contribuir para a destruição da tradição chinesa. Porém, através da realização de diversas exposições caligráficas com obras de So Shu Fai, ficou definitivamente provado que a Caligrafia não é mais do que o testemunho histórico da forte vitalidade cultural da China. Como Georg Wilhelm Friedrich Hegel disse: "A tradição não é uma estátua de pedra, mas um rio cheio de vitalidade que, quanto mais se afasta da nascente, mais altas são as suas ondas."

É,  pois, com muito prazer que o Instituto Cultural de Macau organiza esta exposição no Museu de Macau. E estou convicto de que esta será uma inspiração, não apenas para os estetas e entendidos mas também para o público em geral.

O Presidente do Instituto Cultural de Macau
Wang Zeng Yang
Agosto, 199
9

Os calígrafos contemporâneos têm a tendência de aprender a caligrafia do estilo de Huang Dao Zhou e Ni Yuan Lu, que viveram na parte final da Dinastia Ming. Cremos que Shen Mei Shou, do Século IXX e Tai Jing Nong, da época

contemporânea, foram os que conseguiram maiores sucessos nesse aspecto. O Professor Jao Tsung-I considera que o Sr. Ambrose So Shu Fai possui "uma profunda capacidade para imitar a caligrafia do Sr. Tai, conseguindo quase assemelhar-se-lhe". Aqueles que já apreciaram as obras do Sr. So, são também da mesma opinião.

Há vinte anos, o Sr. Jao Tsung-I lamentava: "Hoje em dia os professores que nas universidades leccionam a língua chinesa não sabem escrever caracteres com o pincel, e os professores de educação artística não estão habilitados a desenhar com o pincel". Mas, após termos apreciado no ano transacto a imitação de caligrafia de Wang Duo pelo Zahang Wu Chang, professor de economia da Universidade de Hong Kong, e, no corrente ano, a do Sr. Ambrose So Shu Fai, o signatário está convicto de que, embora o conceito profissional da caligrafia chinesa não seja fácil de atingir, tal conceito á está muito bem adoptado por diferentes profissionais e camadas sociais.

Prof. Sheung Chung-Ho
Verão, 1999